11/08/2019 08:34:00

A televisão, o BOMBRIL e o registro de marcas

Autor: Loreci Demenegui

Se eu fosse contar a história da televisão pela minha ótica, ela ia começar assim:

“As nossas noites de domingo já não tinham mais lugar na rua, entre as brincadeiras de roda, de esconde-esconde, de queimada, de estátua ou de passa-anel.

As nossas noites de domingo eram passadas no chão da sala (o sofá e as cadeiras eram reservados aos adultos) diante da tela da televisão.

Ali nos reuníamos, os da casa e os de todas as casas da vizinhança que não tinham, ainda, um aparelho de TV.

De vez em quando, a imagem ficava ruim e íamos buscar solução na cozinha, num chumaço de BOMBRIL (a esponja de aço que representa um dos maiores exemplos da força de uma marca), colocado nas pontas da antena, nessa época interna, que ficava, feito um par de chifres, sobre o aparelho.

Para dar algum colorido à tela, já que as imagens eram geradas em preto e branco, nos valíamos de uma folha de papel celofone colada à tela...”

A história oficial começa com a criação de um tubo iconoscópio, que é a base da televisão, em 1923, pelo russo Vladimir Zworykin, que vivia no EUA, embora se atribua a invenção da primeira televisão a Philo Farnsworth, um jovem norte americano, que teria desenvolvido o projeto funcional. Em 1928 foi registrada a primeira transmissão, mas somente após a segunda guerra é que a televisão ganhou popularidade.

No Brasil, em 1950, houve acesso a um sinal aberto de TV após a inauguração da TV Tupi, pelo jornalista Assis Chateaubriand. A primeira transmissão aconteceu no saguão do Diários Associados, de propriedade de Chateaubriand. Para que os programas tivessem alguma audiência, o jornalista precisou importar cerca de duzentos aparelhos de TV, já que não havia ainda o consumo em larga escala de televisores. Posteriormente, novas emissoras foram surgindo, como Globo, Record, Bandeirantes, SBT...

A primeira transmissão em cores ocorreu comercialmente em 1954, nos Estados Unidos, quando a rede NBC conseguiu realizar as primeiras transmissões públicas em cores, ao utilizar um sistema compatível com os antigos aparelhos preto e branco.

Depois das cores, veio o controle remoto e, a partir da década de 90, os aparelhos de TV passaram por evoluções fantásticas, o que resultou em aparelhos mais modernos, leves, com telas finas e imagens de altíssima definição.

O primeiro programa da TV Brasileira se chamava TV na Taba e foi apresentado por Homero Silva com a participação de Hebe Camargo, Lima Duarte e Mazzaropi, entre outros artistas conhecidos na época.

 

A Marca na TV

A marca tem papel importante na televisão. Os nomes de programas requerem proteção e é imprescindível registrá-los junto ao INPI. SBT e Globo são recordistas em registro de marcas, algo em torno de 3.000 cada um.

O SBT possui registros de marcas que jamais foram utilizadas e de outras que já não constam mais da grade de atrações, mas que garantem o direito de propriedade intelectual à emissora. O canal de Silvio Santos vai muito além de registrar nomes de programas, abrangendo também nomes artísticos, bem como expressões e bordões utilizados por seus apresentadores. Pertence à emissora, portanto, o apelido Pavorô da assistente de palco Milene, o personagem Salci Fufu do palhaço Bozo e o bordão Adóóógo, do ex-BBB Dicesar.

Da mesma forma, a Globo registra todos os seus programas, novelas e projetos de uma forma ampla, protegendo várias classes. Geralmente todos os lançamentos de programação já vão ao ar com a marca registrada. Os primeiros registros feitos pela emissora são dos programas Globinho, Festival de Sucessos, O planeta dos homens e Sessão de Gala, todos em 1976.

No caso do Plim Plim, o afamado som que se transformou em uma identidade sonora da emissora, a Globo não conseguiu registrá-lo como marca, nem mesmo junto à União Europeia, que o considerou não distintivo e, portanto, não passível de ser considerado como marca exclusiva da empresa. Assim é que a empresa continua apenas com o registro escrito do som, que foi concedido em 1978, graças ao seu caráter visual.

 

Fonte: Assessoria Domínio Marcas